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SP - Litoral,27/05/2026

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    IPT atualiza dados sobre uma das áreas de águas subterrâneas mais complexas da capital paulista

    ipt.br
    IPT atualiza dados sobre uma das áreas de águas subterrâneas mais complexas da capital paulista

    Estudo financiado pelo Fehidro amplia o conhecimento sobre contaminação, geologia e hidrogeologia na região de Jurubatuba e apoia estratégias de monitoramento e gestão ambiental

    O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) concluiu um estudo financiado pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) para atualização e ampliação do conhecimento sobre as águas subterrâneas na região de Jurubatuba, na zona sul da cidade de São Paulo. O trabalho reúne informações sobre contaminação, geologia e hidrogeologia da área, além de subsidiar novas estratégias de monitoramento e gestão ambiental.





    A Área de Restrição e Controle (ARC) Jurubatuba está localizada na região sul da capital paulista, compreendendo o entorno do canal do rio Jurubatuba, áreas a jusante das represas Billings e Guarapiranga e bairros como Campo Grande, Jardim São Luís, Santo Amaro, Socorro e Vila Andrade, além de uma pequena porção do município de Taboão da Serra. A região é considerada uma área contaminada complexa de dimensão regional.





    Ao longo das décadas de 1950 e 1960, a região passou por um intenso processo de industrialização impulsionado pela disponibilidade de áreas, facilidade de transporte, oferta de água e energia elétrica. A partir dos anos 2000, esse cenário começou a mudar, com redução gradual das atividades industriais e aumento da ocupação residencial, especialmente por empreendimentos destinados à classe média e média-alta.





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    Trabalhos de campo foram realizados com o objetivo de inspecionar locais e poços indicados na base de dados, bem como coletar novos elementos. Esses dados permitiram a implementação gradual de uma rede de monitoramento, na qual foram realizadas coletas de dados hidrogeológicos e análises químicas durante o período do projeto




    As mudanças no perfil de ocupação urbana reforçam a importância de ampliar o conhecimento técnico sobre a dinâmica das águas subterrâneas e os possíveis impactos ambientais associados à região.





    Para o desenvolvimento do estudo, pesquisadores da Seção de Planejamento Territorial, Recursos Hídricos, Saneamento e Florestas do IPT realizaram levantamento e análise de uma ampla base de informações técnicas, incluindo fichas de poços, resultados de análises químicas, mapas geológicos e hidrogeológicos, imagens históricas, dados geofísicos, registros de uso e ocupação do solo, dados de saneamento, atividades econômicas e informações sobre disponibilidade hídrica.





    Além da pesquisa bibliográfica, a equipe desenvolveu trabalhos de campo para atualização e validação das informações existentes.





    “Os trabalhos de campo foram realizados com o objetivo de inspecionar locais e poços indicados na base de dados, bem como coletar novos elementos. Esses dados permitiram a implementação gradual de uma rede de monitoramento, na qual foram realizadas coletas de dados hidrogeológicos e análises químicas durante o período do projeto”, explica o pesquisador e coordenador do estudo, José Luiz Albuquerque Filho.





    As visitas técnicas envolveram aproximadamente 400 poços distribuídos em cerca de 300 endereços, permitindo a atualização de dados hidrogeológicos, construtivos e hidroquímicos de poços ativos e inativos.





    Foram priorizadas oito áreas com histórico de contaminação por compostos organoclorados, incluindo áreas contaminadas e reabilitadas, além de regiões com elevada densidade de poços e proximidade com corpos hídricos relevantes. Entre as áreas avaliadas estão Pedreira, Socorro, Jurubatuba, Guarapiranga, Santo Amaro, Chácara Santo Antônio, Vila Andrade e Itaim Bibi.





    Após a consolidação do banco de dados, foram selecionados 100 poços para campanhas de amostragem de água subterrânea. Desses, 79 tiveram amostras analisadas por laboratório acreditado, seguindo a Norma ABNT NBR 15.847, para avaliação de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) e parâmetros físico-químicos medidos em campo, como potencial de oxirredução, oxigênio dissolvido, pH e condutividade elétrica.





    Os VOCs são substâncias que apresentam elevada capacidade de volatilização e mobilidade ambiental. Mesmo após a interrupção das atividades que originaram a contaminação, resíduos desses compostos podem permanecer por longos períodos no solo, na água subterrânea e no ar. Em razão de sua toxicidade e persistência, essas substâncias exigem monitoramento contínuo.





    Das 79 amostras analisadas, 15 apresentaram concentrações acima do limite de quantificação.





    “O modelo de gestão da ARC Jurubatuba representou uma evolução importante à época de sua implantação, mas ainda existem desafios relacionados à complexidade da área e à necessidade de ampliar o conhecimento disponível”, afirma Albuquerque Filho.





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    “Modelo de gestão da ARC Jurubatuba representou uma evolução importante à época de sua implantação, mas ainda existem desafios relacionados à complexidade da área e à necessidade de ampliar o conhecimento disponível”, afirma Albuquerque Filho.




    Segundo o pesquisador, novos avanços dependem da integração entre a Política Estadual de Recursos Hídricos e a gestão de áreas contaminadas, além do fortalecimento de sistemas de monitoramento regional e unificação de bases de dados.





    Como resultado do projeto, o estudo apresenta também uma proposta de programa contínuo de monitoramento, com foco na identificação de zonas de entrada de água nos poços, acompanhamento de contaminantes e avaliação das tendências espaciais e temporais dos parâmetros analisados.





    “A proposta busca ampliar o conhecimento hidrogeológico regional, apoiar o gerenciamento de áreas contaminadas e disponibilizar informações que contribuam para processos mais eficientes de tomada de decisão e para uma gestão ambiental mais adaptativa”, conclui Albuquerque Filho.




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