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SP - Litoral,03/08/2026

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    Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe

    agenciabrasil.ebc.com.br
    Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe

    A amamentação reduz em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver uma doença cardiovascular em relação a mulher que não amamenta, destaca a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).



    A queda dos fatores de risco está ligada ao período de amamentação. 




    “As publicações giram em torno de 18 meses de amamentação. A mulher que amamenta por mais tempo tem também redução desses fatores de risco: 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC), 14% menos risco de infarto. Viu-se que a amamentação traz essa proteção para a mulher”, destaca a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita.




    A médica esclarece que isso não significa que a mulher que não amamenta tenha risco aumentado para esse tipo de doença.



    Durante a gestação, a mulher sofre alterações hormonais, como alta da resistência à insulina e elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL (colesterol ruim).



    Já na lactação ocorre um reset metabólico, uma espécie de reinicialização do organismo, pois a produção de leite atua na regulação do açúcar, ao melhorar o efeito sobre o metabolismo glicídico e aumentar a sensibilidade à insulina; usa glicose do corpo, reduzindo o risco de diabetes; e o alívio cardíaco, uma vez que reduz a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca da mãe, permitindo que o coração trabalhe com menos esforço para bombeamento do sangue.



    Liberação de hormônios



    O período de lactação ativa a liberação de hormônios específicos, como a ocitocina, a prolactina, os glicocorticoides, a grelina e o hormônio do crescimento, que atuam como uma proteção ao miocárdio contra possíveis lesões cardíacas.



    Um dos principais destaques é a ocitocina. Conhecido como o “hormônio do amor”, a ocitocina protege o coração contra a falta de oxigênio por meio da ativação de receptores cerebrais e de uma via que envolve estruturas responsáveis pela geração de energia celular, oferecendo uma barreira extra de cardioproteção à mãe.



    “Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação, faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que "resetadas" na fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos”, explicou a médica, acrescentando que a resistência à insulina, se não for controlada, pode evoluir para o diabetes.



    A Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que, na gravidez, o corpo da mulher acumula naturalmente reservas de gordura. A lactação utiliza esses depósitos, o que reduz diretamente o risco de doenças cardíacas e um infarto.



    Risco alto para mulheres



    Alexandra Mesquita cita que as doenças cardiovasculares respondem por 33% da mortalidade feminina, superior aos óbitos por câncer de mama.



    “Ainda se pensa que a maior causa de mortalidade feminina é câncer de mama, mas a doença cardiovascular mata sete vezes mais que o câncer de mama”, disse.



    A maior parte dos fatores de risco - diabetes, pressão alta e sedentarismo - é comum a homens e mulheres. No entanto, podem ser piores entre as mulheres. 



    Porém, há fatores de risco próprios do sexo feminino. Entre eles, por exemplo, a cardiologista citou a primeira menstruação precoce (9 ou 10 anos) ou tardia (15 e 16 anos); a menopausa precoce, com menos de 45 anos; endometriose; ovários policísticos; uso de anticoncepcional oral; alterações da gravidez, como hipertensão induzida pela gestação, diabete gestacional ou bebê de baixo peso. 



    Dia Internacional da Amamentação



    Neste sábado (1º), será comemorado o Dia Internacional da Amamentação. O tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026 é “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona.”



    A campanha global do Agosto Dourado é coordenada pela instituição World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) e tem como objetivo reforçar a importância de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para um futuro mais saudável para crianças, famílias e comunidades.



    A pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), aponta dez benefícios da amamentação para mãe e para a criança:




    • Proteção contra doenças

    • Recuperação pós-parto

    • Desenvolvimento infantil 

    • Maior vínculo afetivo

    • Formação dos dentes

    • Fácil adaptação

    • Prevenção de tumores

    • Planejamento familiar

    • Construção de hábitos alimentares

    • Benefício financeiro, sem a necessidade de comprar leites e suplementos infantis 




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