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SP - Litoral,15/07/2026

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    The Mound: Omen of Cthulhu mostra que diversão nem sempre anda ao lado da qualidade

    tecmundo.com.br
    The Mound: Omen of Cthulhu mostra que diversão nem sempre anda ao lado da qualidade

    Além de me aventurar por experiências single-player aqui no Voxel, eu gosto muito de passar um tempo jogando games multiplayer com meus amigos, onde a oferta de jogos é bastante variada. Enquanto jogos como Meccha Cameleon viralizam na Steam com um preço acessível, eu tive a chance de testar uma experiência mais "premium" nos últimos dias. 

    Estou falando de The Mound: Omen of Cthulhu, novo game da Nacon feito pelo estúdio chileno ACE Team. Já disponível no PC, PS5 e Xbox Series S e X, o jogo coloca até quatro jogadores para viver uma experiência de extração raiz, no sentido mais histórico da palavra. Um grupo de exploradores desembarca em uma região claramente inspirada na América Latina para buscar riquezas escondidas enquanto tentam sobreviver aos horrores da floresta.

    O jogo é produzido com os gráficos refinados da Unreal Engine e consegue divertir bastante quando jogado em grupo. No entanto, ele também prova que o ser humano é capaz de relevar muitos problemas técnicos e de game design quando a diversão com os amigos entra em cena.

    Uma atmosfera envolvente e aterrorizante

    Quando comecei a testar The Mound sozinho, a parte que mais me chamou a atenção foi justamente a ambientação. Inspirado nas obras de H.P. Lovecraft, o título usa um galeão úmido e pouco povoado como lobby, reunindo os quatro personagens jogáveis antes de cada expedição.

    Depois, o jogador é levado para uma selva dividida em diferentes regiões, que funcionam como mapas limitados para as incursões de extração. Ao colocar os pés em terra firme, o objetivo é coletar ouro, explorar cada canto do local, sobreviver e retornar ao navio antes que a floresta cobre um preço alto demais.

    Entre uma missão e outra existe uma estrutura simples de progressão que ajuda a dar contexto às partidas, além de evoluir itens que você usa durante o gameplay. Antes de partir, é preciso aceitar contratos do capitão, dividir armas e equipamentos entre a equipe e escolher qual área da selva será explorada.

    A sensação é de que cada expedição representa mais um passo rumo ao desconhecido. Quanto mais longe o grupo decide avançar, maiores são as recompensas, mas também aumentam as chances de encontrar criaturas mais perigosas e sofrer com os efeitos da loucura.

    The Mound capricha na ambientação.

    Outro detalhe interessante é que a campanha recompensa quem explora o cenário. Durante as partidas é possível encontrar antigos fortes abandonados e recuperar diários de bordo que desbloqueiam novos pontos de partida para futuras expedições, reduzindo parte do caminho percorrido e incentivando novas tentativas.

    Rodando na RTX 5080, os visuais do game estavam bem chamativos, garantindo uma atmosfera opressora na floresta, povoada de araucárias e pássaros que podem até mesmo ser vistos no Brasil. As criaturas do jogo também são assustadoras, com o jogador encontrando zumbis, monstros explosivos e inimigos com designs bastante únicos, tornando toda a experiência assustadora até mesmo em grupo.

    Seus amigos podem ser os seus piores inimigos

    Em um mercado lotado de grandes jogos multiplayer, o grande diferencial de The Mound está na loucura. Quanto mais tempo você permanece na floresta ou fica distante do grupo, maiores são as chances de o personagem perder a sanidade e deixar de distinguir realidade e ilusão.

    O sistema vai muito além de aplicar filtros na tela ou efeitos sonoros estranhos. Em diversos momentos, o game altera completamente a percepção do jogador, fazendo inimigos aparecerem apenas para algumas pessoas, modificando sons e criando situações em que confiar nos próprios sentidos deixa de ser uma opção.

    Essa mecânica funciona bem no gameplay solo, mas mostra todo o seu potencial no multiplayer. Ao jogar com outras pessoas utilizando o chat de voz por proximidade, a experiência fica muito mais divertida e imprevisível.

    Em alguns momentos, o jogador começa a delirar sozinho, o que torna o gameplay imprevisível.

    Durante uma das minhas incursões, por exemplo, eu e meu grupo pegamos os tesouros necessários, colocamos tudo na carroça puxada por Carlito, um boi de carga que nos acompanha durante toda a jornada, e seguimos rumo ao galeão. No meio do caminho, porém, diversos mortos-vivos apareceram, causando pânico em toda a equipe.

    A partir daí, o cenário que antes era calmo virou uma correria completa com muito sangue para todos os lados. Em determinado momento, percebemos que os zumbis, na verdade, eram imaginários: todos os jogadores estavam se espancando acreditando que estavam sendo perseguidos.

    Cenas como essa são comuns e amplamente estimuladas pelo jogo. Quanto mais você adentra a floresta, maiores são as chances de ver os amigos cobertos por minhocas, vomitando centopeias gigantes ou encontrando criaturas que simplesmente não existem para o restante da equipe.

    The Mound faz duvidar dos amigos e de você mesmo.

    No entanto, a parte mais assustadora — e também a mais divertida — são os Sem Rosto. Uma das criaturas consegue copiar perfeitamente a aparência e parte da voz dos jogadores, criando situações em que qualquer pessoa pode ser um inimigo infiltrado.

    Além disso, sempre que um jogador morre e não é revivido a tempo, ele pode ser consumido pela floresta e retornar corrompido. Visualmente continua igual ao antigo companheiro, mas agora existe apenas para eliminar o restante da equipe.

    As mecânicas de loucura, combinadas ao chat de voz espacial e à densidade da floresta, criam um clima constante de paranoia. É justamente essa mistura que faz The Mound entregar uma experiência diferente em um gênero repleto de opções parecidas.

    Erros que atrapalham a experiência

    Apesar dos acertos que rendem diversão, durante toda a minha jornada com The Mound, fiquei com a impressão de que o jogo poderia ter seguido outra tendência bastante comum da indústria atual: o acesso antecipado. Enquanto a atmosfera e as ideias centrais funcionam muito bem, a sensação é de que ainda faltou tempo para lapidar praticamente todo o restante.

    Jogando em quatro pessoas, a dificuldade parece desbalanceada, principalmente por causa da oferta limitada de equipamentos no começo das expedições. Como o jogo aposta em armas lentas, pouca munição e um combate bastante pesado, basta uma sequência ruim de encontros para que toda a equipe seja derrotada sem muito espaço para reação.

    A própria progressão também demora para mostrar novidades realmente relevantes. Embora recuperar diários e desbloquear novos pontos de partida seja uma boa ideia, o ciclo acaba ficando repetitivo depois de algumas horas.

    A pegada realista, que cativa no visual, também atrapalha na movimentação. Os personagens não conseguem pular e, para subir determinados obstáculos, é preciso esperar animações relativamente demoradas, criando situações curiosas em que quatro exploradores literalmente formam uma fila para subir uma escada.

    O título também não escapa de bugs que prejudicam a experiência. Enquanto alguns erros são engraçados, como Carlito dando cambalhotas para voltar ao navio, outros podem simplesmente interromper uma partida inteira, como aconteceu quando fiquei preso embaixo de uma ponte e precisei reiniciar o jogo.

    Além disso, sinto que a experiência entregue no lançamento ainda apresenta limitações que poderiam ser resolvidas com mais tempo de desenvolvimento, ou com o auxílio de feedbacks de jogadores. Os quatro personagens disponíveis, por exemplo, acabam ficando muito parecidos durante as partidas depois que todos equipam armaduras semelhantes, dificultando identificar rapidamente quem é quem no meio do caos.

    Tudo isso ainda vem acompanhado pelo preço de R$ 120 no PC e R$ 170 nos consoles. É um valor elevado para um jogo que claramente ainda busca amadurecer suas ideias e que depende bastante de jogar com amigos para entregar o seu melhor.

    Vale a pena?

    The Mound: Omen of Cthulhu entrega uma experiência divertida com amigos, sustentada por uma atmosfera excelente e por um sistema de loucura que realmente consegue criar histórias únicas a cada partida. Poucos jogos cooperativos conseguem transformar a própria comunicação entre os jogadores em parte do terror de forma tão eficiente.

    Ao mesmo tempo, fica difícil ignorar a quantidade de problemas técnicos, decisões de design questionáveis e a falta de polimento em diversos aspectos do gameplay. A impressão é de que existe uma ótima ideia escondida atrás de um lançamento que aconteceu alguns meses antes do momento ideal – ou que deveria ser um acesso antecipado.

    Para quem gostou da proposta, minha recomendação é esperar uma promoção ou acompanhar as próximas atualizações da desenvolvedora, torcendo para que a Nacon não tire o projeto da tomada precocemente. Caso o estúdio consiga equilibrar melhor a dificuldade, corrigir bugs e expandir a progressão, The Mound tem potencial para conquistar um espaço interessante entre os cooperativos modernos, garantindo algumas horas de diversão em grupo com amigos.

    No estado atual, porém, ele é justamente o tipo de jogo que desafia avaliações. Tecnicamente, o jogo está longe de ser excelente, mas conseguiu proporcionar algumas das sessões multiplayer mais engraçadas e memoráveis que tive nos últimos meses, provando que, às vezes, até um jogo cheio de defeitos pode render boas risadas e sustos.

    Nota do Voxel: 70

    Pontos positivos (Prós):

    • Atmosfera lovecraftiana extremamente imersiva.
    • Sistema de loucura cria situações imprevisíveis e memoráveis.
    • Chat de voz espacial faz parte do próprio gameplay.
    • Excelente direção de arte e belos visuais.
    • Muito divertido quando jogado com amigos.

    Pontos negativos (Contras):

    • Balanceamento inconsistente, principalmente em quatro jogadores.
    • Combate pesado e pouco refinado.
    • Progressão demora para apresentar novidades.
    • Bugs podem interromper partidas.
    • Preço alto para o nível atual de polimento.

    The Mound: Omen of Cthulhu já está disponível no PC, PS5 e Xbox Series S e X. O game foi testado no computador por meio de chaves cedidas pela desenvolvedora.




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