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SP - Litoral,09/05/2026

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    Não é só nos EUA: cientistas chineses também morrem de forma misteriosa; entenda o caso

    tecmundo.com.br
    Não é só nos EUA: cientistas chineses também morrem de forma misteriosa; entenda o caso

    Há alguns dias, noticiamos o início das investigações do FBI sobre a série de mortes e desaparecimentos de cientistas americanos envolvidos em pesquisas nucleares e aeroespaciais. Porém, a coincidência destes casos não é um fenômeno exclusivamente norte-americano: algo parecido está acontecendo na China.

    Relatórios da mídia chinesa — e outros pelo mundo — apontam pelo menos nove mortes “misteriosas” de cientistas de alto nível que trabalharam em áreas sensíveis, como inteligência artificial militar, armas hipersônicas e defesa espacial. O padrão novamente é familiar: pessoas que continham conhecimentos estratégicos estão sofrendo acidentes ou estão desaparecidas, muitas vezes, sem explicação clara.

    Alguns casos conhecidos

    No centro das atenções está Feng Yanghe, ex-professor da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa que trabalhava em simulações de invasão de Taiwan usando inteligência artificial. Ele morreu em um acidente de carro nas primeiras horas da manhã do dia 1º de julho de 2023, em Pequim, aos 38 anos.

    Feng Yanghe. Foto: Weibo 

    Um obituário publicado no site estatal Sciencenet.cn descreveu sua morte usando o termo “sacrificado em cumprimento de deveres oficiais”, uma expressão raramente usada para acidentes comuns. Feng foi enterrado no cemitério Babaoshan, em Pequim, um local reservado para a elite do Partido Comunista, heróis do Estado e mártires revolucionários. 

    Um pesquisador experiente em assuntos militares chineses que trabalha em um Think Tank (organizações preocupadas em criar e disseminar conhecimento), disse à Newsweek que “uma pessoa morta em um acidente de carro normalmente não seria descrita como tendo ‘sacrificado’ sua vida” e classificou o sepultamento em Babaoshan como “muito estranho”.

    Outros casos chamam atenção pelo mesmo motivo: Zhang Xiaoxin, especialista em tecnologia espacial, morreu em um suposto acidente de carro em dezembro de 2024. Chen Shuming, especialista em microeletrônica, morreu em circunstâncias semelhantes ainda em 2018. Em todos os casos, os relatórios chineses atribuíram as causas a acidentes de trânsito, outros como “acidentes não especificados” ou simplesmente não apresentaram nenhuma causa.

    Casos semelhantes nos EUA

    Nos Estados Unidos, um padrão parecido chamou a atenção do FBI, fazendo até com que o Presidente Donald Trump se pronunciasse: ao menos 10 cientistas ligados a pesquisas nucleares e aeroespaciais também desapareceram nos últimos anos. Entre os casos, temos um físico nuclear morto a tiros na porta de casa, um general aposentado que saiu de casa e nunca mais voltou e uma engenheira aeroespacial que desapareceu durante uma trilha.

    Diante do acúmulo de casos, o FBI assumiu a coordenação das investigações, trabalhando em conjunto com diferentes órgãos federais, como o Departamento de Energia, o Pentágono e a própria NASA.

    Mortes e desaparecimentos de figuras importantes chamaram a atenção do FBI. 

    No Congresso, a Comissão de Supervisão da Câmara também abriu uma apuração paralela. Parlamentares solicitaram informações formais a diversas agências, levantando a hipótese de que os episódios possam representar um risco à segurança nacional — chegando a mencionar a possibilidade de uma conexão mais preocupante entre eles.

    Uma “guerra silenciosa” acontecendo?

    O fenômeno levantou uma pergunta entre analistas militares: estaria havendo uma “guerra silenciosa de cientistas”? O mesmo pesquisador ouvido pela Newsweek avaliou que as áreas científicas onde as mortes estão ocorrendo – no caso, hipersônicos, IA militar e tecnologia espacial – são exatamente as que “poderiam fazer diferença” no equilíbrio de poder global.

    “O ponto pode não ser eliminar um grupo inteiro, mas se alguém elimina algumas das mentes mais brilhantes fazendo trabalho pioneiro, isso tem um efeito dissuasor”, disse o pesquisador, acrescentando que alguns dos casos provavelmente serão “acidentes completos”.

    A embaixada chinesa em Washington foi consultada sobre o assunto e respondeu não estar ciente da situação relevante, acrescentando que “a China sempre esteve comprometida em promover o progresso científico e tecnológico por meio da cooperação e da competição saudável.”


    Será apenas coincidência?

    Espionagem internacional, corrida tecnológica, queima de arquivo: as teorias que circulam são as mesmas em ambos os países. E assim como no caso americano, o que torna o conjunto de mortes chinesas difícil de simplesmente descartar não é uma prova concreta de conspiração, mas o perfil das vítimas.

    No total, são ao menos onze casos nos EUA e nove na China, todos concentrados nas áreas mais sensíveis da corrida tecnológica e militar do século XXI: inteligência artificial, hipersônicos, energia renovável e tecnologia espacial.

    Coincidência estatística ou efeito colateral silencioso de uma disputa global que acontece longe dos holofotes – por enquanto, a única resposta honesta é: ainda não se sabe. Porém, em frente a tantos casos parecidos, fica difícil ignorar se não há algo a mais por trás desses casos.

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